Tem um elefante na sala, mas todos fazem questão de ignorá-lo. Este ditado popular reflete a sensação deixada no mercado por toda a investigação da possível fraude na importação de equipamentos Cisco para o Brasil, envolvendo a distribuidora Mude. Isso porque, enquanto as discussões giram em torno de um possível esquema sofisticado – que, segundo a Polícia Federal, levou à sonegação de R$ 1,5 bilhão, nos últimos anos – as notícias parecem ignorar um dos estímulos a esse tipo de fraude fiscal no País: a alta carga tributária nacional.
Na minha visão, o fato do País ter impostos que beiram recordes mundiais não justifica qualquer atividade ilícita, contudo, exige um jogo de cintura dos empresários e que, em muitos casos, leva as empresas a ultrapassarem o tênue limite que separa a criatividade da ilegalidade.
Longe de justificar ou de julgar qualquer atividade ilícita citada nas investigações da Cisco e da Mude – pois o caso precisa ser decidido pela justiça, não pela imprensa –, acho que o momento poderia ser utilizado para encarar o elefante da tributação que se encontra aí, parado na frente dos brasileiros, atrapalhando o desenvolvimento do País como um todo.
Ou seja, em vez do setor continuar calado e fingindo que nunca ouviu falar de algum tipo de ‘criatividade fiscal’ utilizada pelas empresas do canal de distribuição para garantir competitividade no mercado, que tal os empresários brasileiros refletirem sobre formas mais eficientes de realizar a tão prometida Reforma Tributária?
Talvez o momento seja de escolher entre fingir que não enxerga o elefante ou encará-lo de frente e buscar a forma mais adequada de minimizar sua presença. A escolha é nossa!
A jornalista Tatiana é muito perspicaz, pois tenho certeza que nenhum empresário percebeu isso até hoje. Grande matéria!
Sem dúvida a Tatiana tocou no ponto nervoso realmente os empresários da área deveriam ficar alertas ainda mais se obervarmos as notícias de hoje 09/11 que indicam dispensa de funcionários da MUDE. Como fica o mercado, até agora são somente denuncias e já estamos sofrendo problemas de empregabilidade. Acho que está na hora de nos movimentarmos para proteger as empresas e funcionários.
Tatiana esta correta em seu raciocinio, mas a verdade que essa pratica é tão arraigada em nossa cultura que desde os tempos da antiga SEI (Secretaria Especial de Informatica) em suas reuniões com fabricantes locais o assunto da excessiva carga tributária já era discutida e por vezes o simples fechar de olhos das autoridades era a única forma de garantir a continuidade dos fabricantes brasileiros frente ao contrabando. Não raro equipamentos aqui produzidos custavam 5 ou 6 vezes mais do que importados e com qualidade sofrível. Muito então do que acontece hoje ainda tem seu começo a quase 30 anos atrás, e não estranhem encontrarem personagens vindos dessa época ainda em atividade no mercado. Verdade é que mesmo o governo incentivou bastante essa pratica em suas licitações no passado fechando os olhos e adquirindo produtos de empresas comprovadamente listadas e conhecidas por atividades muito similares a que a MUDE vem sendo acusada. Não há santos nesse mercado!
Sim, acredito que o elefante está na sala, mas não podemos deixar que ele sirva de desculpa para a condução ilícita dos negocios no Brasil. Os orgão representativos das classes empresariais devem se mobilizar para pressionar o governo por níveis tributários mais adequados. O caso Cisco e Mude não reflete a grande maioria dos empresários sérios brasileiros; generalizar seria um erro.
Tatiana, cumprimento pela sua abordagem, este assunto merece uma discussão ampla.
Mauricio Cacique
FLAG
Atuo neste segmento a 17 anos, e sofri com empresas atuando de forma desleal e ilegal. o problema não é só a carga tributária, mas sim uma fiscalização eficaz e a currupção de pessoas que utilizam as "brechas" na lei e a conivência de agentes de fiscalização para atuar desta maneira, burlando e matando os seus concorrentes.
O Governo Brasileiro não mais criar de impostos ou taxas; mesmo não tendo mais a CPMF, mas sim de um controle eficaz e justo, conforme lemos o crescimento da arrecadação subiu +10% do PIB.
Está na hora do governo atuar como parcero e não como devorador.