FATO: Uma grande parte das empresas que fabricam seus produtos e serviços não vende diretamente para seus clientes finais e dependem totalmente do canal de distribuição para geração das vendas e também para obterem cobertura geográfica ou capilaridade.
O canal é uma “constante zona de potenciais conflitos” - provavelmente por essa razão existem as “políticas” para balizar essa relação e que devem, no mínimo, observar dois quesitos que são verdadeiros “estopins”: a “precificação” e a “política de descontos”.
Exemplo: Sua empresa não deve, por exemplo, vender para o usuário final pelo mesmo preço que vende para os distribuidores. Ou ter uma política de descontos obscura que privilegie um ou outro distribuidor.
A construção e o amadurecimento desses relacionamentos entre a empresa e os diversos tipos de canais de vendas são certamente uma tarefa de longo prazo e que envolvem anos e anos de investimento, até que os canais estejam prontos para “escoar” de forma apropriada os produtos e serviços. Para isso são necessários:
1. Garantir práticas de negócios éticas e legais;
2. Treinamento e capacitação constantes;
3. Elaboração de programas de marketing e vendas;
4. Manutenção dos níveis de estoque;
5. Concessão de crédito;
6. Evitar inadimplência;
7. Evitar obsolescência;
8. Conhecer processos alfandegários, no caso de produtos importados;
9. ... entre outros.
Um dos principais desafios de vender por meio de diversos canais é diminuir a distância entre a fábrica e o “cliente final”. Construir a capilaridade, ou seja, ter uma cobertura geográfica abrangente que represente um alto volume de negócios é fundamental na manutenção das vendas e também na participação de mercado, ou “market share”.
O plano de marketing e comunicação das empresas deve contemplar programas específicos para geração de demanda no canal de distribuição.
Exemplo: material promocional de ponto de vendas nas lojas de varejo, programas de incentivos com premiação para as melhores revendas, prêmios especiais para vendedores que batem suas metas etc.
O cargo de gerente de canais não é uma missão simples e é, definitivamente, um dos mais importantes! Definir os parceiros para cada tipo de canal e principalmente desenvolvê-los representa uma tarefa dolorosa e delicada. A escolha do tipo de canal de distribuição está diretamente relacionada com o tipo de produto ou serviço, já que existem vários tipos de canais de vendas com características de negócio específicas.
Uma das grandes desgraças que pode acontecer está no fato de a empresa, normalmente “gulosa” por mais e mais vendas, cair na tentação de começar a modificar constantemente as estratégias e as parcerias. Esse tipo de atitude gera incerteza em todo canal e é contra indicada, por ser extremamente complicada de gerenciar e definitivamente perigosa!
O canal se comunica como as formigas, pelo cheiro!
Outra grande desgraça, essa mortal, é a “over” distribuição que ocorre quando o número de distribuidores disputando os mesmos clientes é muito grande. Essa prática simplesmente acaba com a rentabilidade no canal.
É muito importante conhecer esta regra: “O canal de vendas não compra, mas sim vende os produtos e serviços destas empresas!” A empresa é responsável pela rentabilidade de seus produtos, pela geração de demanda e por tornar seus produtos e serviços conhecidos do público-alvo.
As empresas preguiçosas ou que se iludem achando que o canal vai exercer o papel de marketing corporativo, falha miseravelmente!
As responsabilidades e as expectativas entre o fabricante e o canal de distribuição devem ser claras e compreensivas.
1. O fabricante tem responsabilidade sobre a marca, ou seja, fazer com que os clientes finais conheçam o produto e “peçam esses produtos” nas lojas ou pontos de venda.
2. “Por outro lado, o distribuidor, tem que manter o estoque e a pronta entrega, garantir que os vendedores estão bem treinados e assim conquistarem juntos a satisfação do cliente que é o objetivo final.”
O canal de distribuição também alimenta de informações preciosas, puras, as áreas internas da empresa. Estas informações são importantes para gerentes de produto, engenheiros, marketing, vendas, etc. São dados sobre a percepção dos clientes em quesitos como preços, prazos de entrega, prioridades, desenvolvimento de novas “features”, concorrência, etc.
“Um canal sem capacitação não reproduz com fidelidade o real benefício dos produtos e serviços neutralizando assim todo o investimento em marketing. Como conseqüência, pode simplesmente exterminar o valor de uma marca”.