A notícia da saída de José Ruy Andutes da presidência da SAP Brasil (
leia matéria anterior), que pegou de surpresa boa parte do mercado na semana passada, não deve ser encarada como uma ruptura nos negócios da companhia. “O que estamos fazendo é uma evolução; uma evolução pensada no futuro, para habilitar idéias que temos para amanhã e com foco no cliente”, garante José Alberto Duarte, presidente da SAP América Latina.
Para reforçar o ponto, o executivo se baseia nos números do primeiro semestre da companhia. Segundo Duarte, a operação local cresceu 28,7% nos primeiros seis meses do ano – apenas os negócios relacionados a software no Brasil cresceram 179% quando comparados com o mesmo período do ano passado. “Houve uma aceleração muito grande nos negócios com pequenas e médias empresas. Hoje temos cerca de 600 clientes que consideramos SME, um crescimento de 180%”, conta.
Não é segredo para ninguém que, apesar dos percentuais altíssimos alcançados entre as pequenas e médias empresas, a SAP ainda luta para deixar de lado sua dependência dos grandes clientes, um mercado que todos os analistas indicam como saturado. “Qualquer soluço nesse mercado é muito perigoso, tem a Oracle investindo pesado e outros concorrentes de olho. O trabalho nunca acaba”, afirma Alfredo Pinheiro, diretor da consultoria Compass Management.
Para o especialista, a entrada nas médias empresas e o desenvolvimento do setor de serviços da SAP devem ser os principais desafios para Alberto Ferreira, o novo presidente da subsidiária brasileira.
As palavras de Duarte mostram que a análise de Pinheiro não está longe da realidade. “O Alberto terá a responsabilidade de reforçar as áreas estratégicas de evolução que já tínhamos definido com o Antunes. A nossa primeira responsabilidade é com os clientes que já depositaram confiança na SAP; o segundo ponto é olhar para a oportunidade gigante de crescimento que há nas pequenas e médias empresas, e o terceiro ponto é a expansão de alguns territórios onde queremos estar mais fortes: setores público, financeiro e varejo”, enumera.
Aos 43 anos e com larga experiência no setor de telecomunicações, Ferreira se mostra tranqüilo diante do desafio de voltar ao mercado de TI. “Eu tenho uma paranóia pessoal: não assumo nenhum compromisso que não possa cumprir. Antes de vir para cá, fui falar com CIOs amigos para saber como era a SAP. E uma das características fundamentais pelo que eu ouvi é que ela sempre está ao lado dos clientes quando eles precisam”, conta o executivo.
Segundo Ferreira, esse compromisso com a satisfação dos clientes e os investimentos que a empresa faz na capacitação e formação de pessoal foram fatores preponderantes para aceitar o convite de assumir a presidência da SAP Brasil. “O desafio aqui é completamente diferente do que vivi recentemente [na Carlson Wagonlit, agência de viagens corporativas do Grupo Accor da qual era presidente há cerca de dois anos]. Eu tinha um time com problema de performance, com auto-estima um pouco baixa. Aqui o Antunes me deixou outro tipo de problema: a equipe é altamente capacitada, altamente motivada, os números são excepcionais... Tenho de pegar uma empresa vencedora e transformá-la em uma organização ainda mais vencedora”, declara.
Sem citar números de metas para o ano, Duarte faz questão de deixar claro que a expectativa é que a SAP Brasil continue sendo destaque entre as subsidiárias em todo o mundo – em 2006, garante, a operação local cresceu 64%. “Por que a mudança? Porque posso mudar. Porque temos um horizonte onde queremos chegar e, para isso, posso usar dois motores ou quatro motores e ir mais rápido. Fizemos a mudança quando decidimos, não há nenhuma pistola apontada para nossa cabeça”, define.