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Estratégia

Mudança sem rupturas é promessa da SAP Brasil

De acordo com José Alberto Duarte, presidente da SAP América Latina, a operação brasileira já conta com cerca de 600 clientes de pequeno e médio portes, um crescimento de 180% frente ao ano anterior.

Por Alexandre Scaglia, do Computerworld
publicado em 31/07/2007
atualizada em 31/07/2007 13:04
A notícia da saída de José Ruy Andutes da presidência da SAP Brasil (leia matéria anterior), que pegou de surpresa boa parte do mercado na semana passada, não deve ser encarada como uma ruptura nos negócios da companhia. “O que estamos fazendo é uma evolução; uma evolução pensada no futuro, para habilitar idéias que temos para amanhã e com foco no cliente”, garante José Alberto Duarte, presidente da SAP América Latina.

Para reforçar o ponto, o executivo se baseia nos números do primeiro semestre da companhia. Segundo Duarte, a operação local cresceu 28,7% nos primeiros seis meses do ano – apenas os negócios relacionados a software no Brasil cresceram 179% quando comparados com o mesmo período do ano passado. “Houve uma aceleração muito grande nos negócios com pequenas e médias empresas. Hoje temos cerca de 600 clientes que consideramos SME, um crescimento de 180%”, conta.

Não é segredo para ninguém que, apesar dos percentuais altíssimos alcançados entre as pequenas e médias empresas, a SAP ainda luta para deixar de lado sua dependência dos grandes clientes, um mercado que todos os analistas indicam como saturado. “Qualquer soluço nesse mercado é muito perigoso, tem a Oracle investindo pesado e outros concorrentes de olho. O trabalho nunca acaba”, afirma Alfredo Pinheiro, diretor da consultoria Compass Management.

Para o especialista, a entrada nas médias empresas e o desenvolvimento do setor de serviços da SAP devem ser os principais desafios para Alberto Ferreira, o novo presidente da subsidiária brasileira.

As palavras de Duarte mostram que a análise de Pinheiro não está longe da realidade. “O Alberto terá a responsabilidade de reforçar as áreas estratégicas de evolução que já tínhamos definido com o Antunes. A nossa primeira responsabilidade é com os clientes que já depositaram confiança na SAP; o segundo ponto é olhar para a oportunidade gigante de crescimento que há nas pequenas e médias empresas, e o terceiro ponto é a expansão de alguns territórios onde queremos estar mais fortes: setores público, financeiro e varejo”, enumera.

Aos 43 anos e com larga experiência no setor de telecomunicações, Ferreira se mostra tranqüilo diante do desafio de voltar ao mercado de TI. “Eu tenho uma paranóia pessoal: não assumo nenhum compromisso que não possa cumprir. Antes de vir para cá, fui falar com CIOs amigos para saber como era a SAP. E uma das características fundamentais pelo que eu ouvi é que ela sempre está ao lado dos clientes quando eles precisam”, conta o executivo.

Segundo Ferreira, esse compromisso com a satisfação dos clientes e os investimentos que a empresa faz na capacitação e formação de pessoal foram fatores preponderantes para aceitar o convite de assumir a presidência da SAP Brasil. “O desafio aqui é completamente diferente do que vivi recentemente [na Carlson Wagonlit, agência de viagens corporativas do Grupo Accor da qual era presidente há cerca de dois anos]. Eu tinha um time com problema de performance, com auto-estima um pouco baixa. Aqui o Antunes me deixou outro tipo de problema: a equipe é altamente capacitada, altamente motivada, os números são excepcionais... Tenho de pegar uma empresa vencedora e transformá-la em uma organização ainda mais vencedora”, declara.

Sem citar números de metas para o ano, Duarte faz questão de deixar claro que a expectativa é que a SAP Brasil continue sendo destaque entre as subsidiárias em todo o mundo – em 2006, garante, a operação local cresceu 64%. “Por que a mudança? Porque posso mudar. Porque temos um horizonte onde queremos chegar e, para isso, posso usar dois motores ou quatro motores e ir mais rápido. Fizemos a mudança quando decidimos, não há nenhuma pistola apontada para nossa cabeça”, define.
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