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Programa educacional da CNI pode atingir 16 milhões de matrículas em 4 anos

Para Armando Monteiro, presidente da confederação, hoje já vemos um quadro em que há desemprego e sobram trabalhadores, vagas que dependem de qualificação e capacitação.

Por Computerworld*
publicado em 21/11/2007

O programa Educação para a Nova Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deverá garantir 16,2 milhões de matrículas de jovens e adultos nos próximos quatro anos, graças a um investimento de R$ 10,5 bilhões.

A informação é do presidente da CNI, deputado Armando Monteiro (PTB-PE), convidado da audiência pública promovida pela Comissão de Educação (CE) nesta quarta-feira (21/11). Os cursos, segundo explicou, serão oferecidos nas áreas de educação básica, continuada e profissional.

A audiência foi proposta pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) com o objetivo de debater o programa educacional promovido pela CNI. De acordo com Armando Monteiro, esse programa é a resposta que a entidade oferece "ao momento desafiador pelo qual passa o Brasil".

O deputado lembrou que a indústria brasileira está cada vez mais exposta à competição internacional e que promover a qualificação da mão-de-obra e do capital humano é imprescindível para o desenvolvimento do País.

"Os ganhos de produtividade da indústria nos próximos anos dependerão da capacidade de inovar processos, e isso só poderá ser feito se tivermos pessoal qualificado. Hoje o trabalhador precisa de mais escolaridade para assimilar o processo de treinamento. Só combinando educação básica, continuada e profissional será possível elevar a escolaridade do trabalhador brasileiro", afirmou Armando Monteiro.

O deputado explicou que o programa foi concebido de forma confederativa, baseado no chamado "Sistema S", em um processo articulado, reunindo e consolidando orçamentos de 27 departamentos regionais do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Armando Monteiro reconheceu que o maior desafio da entidade é conseguir mobilizar os recursos necessários para garantir a execução do programa. Por isso, a CNI vai buscar crédito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Os recursos deverão ser investidos na modernização de infra-estrutura física do sistema, especialmente na informatização e nos laboratórios das escolas do Sesi e Senai, garantindo a oferta de 28 mil computadores que equiparão, de acordo com o deputado, todas as escolas do Sesi do Brasil. Esse dinheiro será destinado também ao aparelhamento de 510 laboratórios de ciências.

"As novas tecnologias estão mudando o perfil profissional do trabalhador. As dificuldades para se conseguir mão-de-obra estão aumentando. Se não houver integração da educação do setor público com o Sistema S, nos próximos anos teremos problemas sérios, quase intransponíveis, para o processo de crescimento do País. Hoje já vemos um quadro em que há desemprego e sobram trabalhadores. São vagas que dependem de qualificação e capacitação", afirmou Armando Monteiro.

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), é a "primeira vez que há um discurso desses vindo de alguém da classe produtora". Cristovam elogiou a "percepção de que hoje a educação é o insumo fundamental" e também o reconhecimento de que "a ciência e tecnologia passam necessariamente pela educação básica". O senador disse que o programa da CNI é "pretensioso", mas ainda assim ,"diante do tamanho do Brasil, toda essa ambição ainda fica pequena".

O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) opinou que o Brasil deveria investir mais em ensino a distância. Não opinião do senador, essa seria a solução para o Brasil, "devido às dimensões continentais do País".

"Na Europa não há preconceito contra o diploma conseguido com o ensino à distancia em relação ao presencial. Espero que no Brasil isso também ocorra", afirmou ele.


* Com informações da Agência Senado
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