Programa que visa servir de base para estratégia única em TI, deverá ser entregue aos futuros presidenciáveis em 2010.
A união faz a força. Este antigo jargão deve ser testado, na prática, pelas entidades que representam a indústria de TI no País, isso porque, em entrevista exclusiva ao portal Channel World, Roberto Carlos Mayer, presidente da sucursal de São Paulo da Assespro (Associação das empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet), revela que o setor prepara um documento no qual pretende alinhar todas as reivindicações para o governo federal.
Com isso, Mayer acredita que os representantes do setor de TI no Brasil demonstram que acordam para a importância de assumir a responsabilidade de desenvolver um plano geral na área de Tecnologia da Informação, não esperando assim apenas as iniciativas pontuais por parte do governo federal.
O documento, que deve ser consolidado até março de 2010, deve conter, ainda, métricas e indicadores de sucesso dessa política e o reflexo na economia. “A TI merece um programa de Estado, não uma ação político-partidária”, avalia Mayer, acrescentando que este programa deve ser apresentado aos futuros presidenciáveis à sucessão de Lula.
Na prática, além da Assespro, Abes (Associação Brasileira de software), Assespro Nacional, Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação) e Softex (Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software) estarão envolvidas nesta discussão e devem, juntas, dar o ponta pé inicial da articulação do programa ainda este semestre. “As conversas já estão sendo conduzidas, mas ganharão um formato mais palpável nos próximos meses”, informa Mayer.
A Assespro Nacional, segundo o executivo, costura a execução de um evento a ser realizado no Congresso Nacional, em Brasília. “Seria uma forma democrática de chamar a sociedade civil, representantes do legislativo e do executivo, além das empresas do setor, à discussão das questões relevantes a serem encampadas pelo programa”, acrescenta o presidente da entidade regional.
Entre os principais pilares do estudo, antecipa Mayer, devem estar as prioridades já acordadas pelos personagens do setor. “Pretendemos dar ferramentas e formas de execução do plano dentro do contexto da famigerada desoneração da mão-de-obra, capacitação, em massa, da força de trabalho e orientação das compras públicas em TI.
Mayer avalia, ainda, que para a realização do estudo detalhado, o qual dará origem ao programa, as entidades deverão desembolsar juntas, ou com apoio de empresas do setor, algo em torno de R$ 5 milhões. Tal esforço financeiro se justifica. "Se algo não for feito de concreto e urgente, o País seguirá perdendo espaço para os países", conclui o executivo da Assespro Paulista.