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Nova política industrial não reverte possíveis perdas com valorização do Real

Empresas e entidade de TI aguardam posicionamento oficial por parte do governo, mas acreditam que medidas não devem aplacar as perspectivas de perda de competitividade com o exponencial ritmo de queda do valor do dólar.

Por Denise Sammarone, da Channel World
publicado em 14/05/2008
atualizada em 14/05/2008 15:07

Parece ser consenso entre os empresários da área de TI de que ainda é muito cedo para avaliar o impacto da nova política industrial, lançada na última segunda-feira, pelo governo federal. "A impressão que dá é de ainda é preciso aparar algumas arestas no programa apresentado. As medidas precisam ser mais claras, principalmente do ponto de vista de operacionalização dos benefícios", avalia Roberto Carlos Mayer, presidente da sucursal de São Paulo da Assespro (Associação das empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet).

Outro consenso é de que, em uma análise ainda prematura, as medidas - como desoneração de mão-de-obra e aumento da concessão de crédito para as empresas exportadoras de TI - não devem aplacar o impacto da desvalorização do dólar - perspectiva de incremento dos investimentos internacionais no Brasil, provocada pela elevação da confiança na economia do País, que traz na sua esteira uma enxurrada de dólar para o mercado local - sobre a receita de exportação das companhias.

Fazendo uma primeira análise, Mayer explica que, a folha de pagamento, atualmente, consome quase dois terços dos custos das empresas, o que corresponde a 30% até 40% da receita da companhia. "O desconto previsto pelo pacote de desoneração do governo, propõe um desconto progressivo de até 10% da folha, o que refletiria em um desconto da ordem de 2% a 3% da receita", contabiliza o presidente da entidade, que complementa: "No contexto geral, a iniciativa é importante, mas não para fazer frente as projeções brutais de queda do dólar, o que acarreta na diminuição da competitividade das ofertas de serviços brasileiros no cenário internacional."

O executivo da entidade afirma, ainda, que as medidas anunciadas, por outro lado, são muito relevantes: "Garante uma sensação psicológica de mais um passo rumo a acatar as necessidades do empresariado."

Para Carlos Augusto Leite Netto, CEO da Matera, desenvolvedora de software localizada em Campinas (São Paulo), a desoneração da folha de pagamento um sinal positivo. "Mas é preciso esclarecer como serão aplicados os benefícios, principalmente do ponto de vista burocrático. Vamos aguardar a medida provisória ser apresentada nos trâmites legais", define o Netto, acrescentando que, com relação à queda do dólar, não acredita ser possível esperar que o governo tome medidas concretas. "Quando a Matera fecha contratos internacionais, utiliza-se de um seguro oferecido pelos bancos para calibrar o valor do câmbio e, com isso, proteger os investimentos internacionais", indica o CEO da Mattera.

Eduardo Santos da integradora M13, o qual também crê que o programa não deve gerar condições para que as empresas sintam um impacto menor com a valorização do real sobre a moeda norte-americana, concorda com Netto: "O cenário internacional passa por uma conjuntura muito complexa e influenciada por diversas variáveis, o que faz com que os esforços do governo, ainda que de boa vontade, não surtam efeito imediatamente", analisa Santos, que define: "Não vamos esperar que essa política resolva a questão do custo de exportação. Vamos continuar criando maneiras de nos tornar mais competitivos frente ao mercado internacional."

Para viabilizar ofertas mais atrativas e com isso manter a projeção de que as vendas internacionais respondam por cerca de 10% a 20% da receita, em 2008, Santos afirma que a M13 vai procurar aumentar o volume de vendas atrelada à diminuição da margem de lucro. "Podemos dar desconto de até 10%", contabiliza o executivo da M13.

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