O avanço do varejo no mercado de tecnologia pode gerar oportunidade de negócios para os canais corporativos
Em 2007, de acordo com um levantamento da IDC, houve uma alta de 156% nas vendas unitárias de notebooks, desktops e monitores entre os varejistas brasileiros. Um índice explosivo e que tem sido impulsionado, não só por usuários domésticos, mas por pequenos escritórios e empresas do SMB (de pequeno e médio porte), roubando assim uma fatia do mercado tradicionalmente dominado pelos canais de TI.
Na realidade, essa tendência de entrada do varejo no filão de negócios das revendas começou a ser desenhada no País há cerca de cinco anos, quando os primeiros equipamentos de informática passaram a ser comercializados nas gôndolas de supermercados e de lojas de departamento. Desde então, conforme comprovam os números da IDC, o setor tem absorvido uma parcela significativa das vendas desses produtos, colocando em jogo a sobrevivência de pequenas revendas.
A boa notícia para os canais, no entanto, vem de um novo modelo de negócios que começa a ser desenhado. Isso porque, mesmo confirmando que o varejo deve tirar uma parte do mercado dos canais, os especialistas acreditam que, em médio prazo, os revendedores podem pegar carona nas ofertas dos varejistas, a partir de serviços agregados e da comercialização de soluções – na área de armazenamento, conectividade, continuidade de negócios e gestão dos equipamentos de rede – que complementem essa nova base instalada de computadores.
Alex Mathias, gerente de vendas da área de varejo e OEM da distribuidora Ingram Micro, acredita que os varejistas devem ser considerados a porta de entrada dos produtos de TI nas empresas de pequeno e médio portes. “Essa exposição pode ser muito favorável para proliferar as tecnologias”, analisa Mathias, citando que isso abre espaço, inclusive, para o trabalho dos canais corporativos.
Na mesma linha, Fábio Gaia, sócio-fundador e diretor comercial da distribuidora Officer, aponta que o varejo tem papel fundamental na consolidação de uma base de novos usuários de tecnologia. “Para as revendas, as oportunidades acontecerão no momento da compra do segundo equipamento de informática e na busca por uma infra-estrutura de TI mais refi nada”, analisa Gaia.
Também sobre esse compartilhamento das oportunidades, o diretor cita que as revendas devem olhar com atenção redobrada as possibilidades de parcerias com o varejo, no sentido de oferecer serviços agregados, como a instalação dos equipamentos e todo o processo de pós-venda.